No inicio da minha admiração pela política, uma das coisas que me mais me intrigou, foi esta coisa da Direita e da Esquerda.
Durante muito tempo, a preguiça de procurar a explicação para uma definição tão bem aceite, impediu-me de procurar a história.
Esta forma de classificar posições ideológicas vem do tempo da revolução francesa "onde os membros do Terceiro Estado se sentavam à esquerda do rei enquanto os do clero e da nobreza se sentavam à direita."
Mas a frase mais interessante de todas foi "um partido poderia ser 'esquerda' em determinadas instâncias e 'direita' em outras." Transportando isto para os dias de hoje, sabemos bem que os extremos políticos, não se sabendo bem qual é a sua nobre função, nunca poderiam ser soluções de governação pela radicalidade, ou melhor, pela pouca capacidade de adaptação aos tempos, às relações com o mundo, à evolução da própria cidadania e à difícil conjugação de necessidades de todos os cidadãos. Vejo estes partidos como, ou totalmente brancos ou totalmente pretos... ora num mundo com tantas cores, parecem-me completamente fora de qualquer solução de futuro.
É por isso natural que nos 37 anos que levamos de democracia, as apostas dos cidadãos tenham recaído sobre os partidos que podem governar nos vários níveis de cinzentos. Os tais partidos que podem ser mais de direita ou mais de esquerda conforme as circunstâncias, conforme os momentos, conforme as necessidades. Afinal de contas, têm a responsabilidade de tomar decisões que afectam todas as pessoas, e não só algumas. Bom aqui salta uma evidência, é que nunca ouvi dizer que os nossos partidos mais cinzentos (os de direita) tenham sido, por uma vez sequer, menos cinzentos... Já o contrário tenho ouvido falar com insistência, recentemente. Pelos vistos dizem muito convictos, que o Governo de José Sócrates governou mais à direita... Foi mais cinzento! Não sei se é natural que o digam, que o pensem. Afinal as circunstâncias em que vivemos são de tal forma excepcionais, que obrigaram a que se carregasse um pouco no preto para que fosse possível defender todos. Mas terá sido mesmo assim como dizem? É que existem muitos indicadores reais que provam que os mais pobres, os mais necessitados, têm hoje mais possibilidades, mais ajudas, mais justiça que em 2005. São medidas que nenhum cidadão pode ignorar. Por outro lado, foram também os governos PS que noutras circunstâncias, carregaram muito no branco, dando muito de si aos cidadãos (contribuintes), fazendo de tudo para que pudessem ter melhores condições e direitos mais brancos. Julgo que enquanto socialista, não podia desejar que o meu partido fosse outra coisa que não esta. Conforme as circunstâncias, o PS age de forma a dar o possível aos portugueses. Nem tudo foram Rosas, é certo! Mas sempre tomou a responsabilidade de dar aos cidadãos quando podia e tratou de lhes tirar quando devia, ou quando por razões de exigência internacional, assim se lhes (aos governos) exigia. Lido bem com isso. Os portugueses desde há 37 anos que andam neste jogo "dégradé". Mas é curioso que da parte da direita nunca ouvi dizer que tenham sido muito brancos para os cidadãos... não me recordo! Mas sou novo nestas andanças. Os extremos! Para que servem o branco e o preto, na nossa vida política?
Não servem para nada...
Minto! Servem. Existem momentos que servem. E os brancos serviram recentemente para dar à direita mais negra de sempre, a força necessária para derrubar um governo de esquerda com políticas de esquerda, mas não suficientemente de esquerda. Serviram para derrubar um governo que tinha de fazer o que se impunha, para manter os ideais da esquerda. Serviram de muletas para a direita conseguir um desejo antigo. E não fosse estranho uma muleta, ainda mais estranho se torna porque foram duas muletas, uma para a direita menos direita, e outra para a direita ainda mais direita... porque a direita estava manca das duas pernas... É para isto que servem, uma vez em cada 100 anos, o branco e o preto. Mais o branco. Chamados a ter um importante contributo para a história colectiva, ficam assim na fotografia: como muleta! É muito estranho ver as cores desta forma. Os portugueses sempre pautaram a sua interpretação política do País de uma forma cautelosa. Baseada no ditado "nunca pôr os ovos todos no mesmo cesto", nunca tivemos um governo e um presidente do mesmo lado político. Até agora! Terão perdido os portugueses a noção da sua história? Bom, tal como as muletas, esta escolha dos portugueses, só acontece de 100 em 100 anos... Felizmente!
Nas últimas legislativas, os portugueses no geral, aceitaram e apoiaram as muletas. Não precisavam de o fazer. Os portugueses que tanto se queixam que o nosso país deixa os melhores ir para fora, tentaram mandar um dos melhores portugueses de sempre para fora do país... é curioso isto! Para não dizer que é ingrato, que é trágico, que é estúpido...
O sonho antigo! Um presidente e um primeiro ministro. Nem um nem outro foram, algum dia, brancos com os portugueses. Pelo contrário. Representam o que de mais negro este país já conheceu. Um porque, enquanto governante, foi o que foi, o outro que nunca foi e não será nunca um governante. Pelo meio, além de afastarem o melhor governante de sempre (pois foi quem governou de tanga e mesmo assim fê-lo com mestria, e sempre que possível, para a esquerda), tentaram a todo o custo desvalorizar as pessoas que o acompanharam em tão árdua missão, elogiada pelas instâncias internacionais. São curiosos alguns portugueses. Fazer isto não é justo!
Dir-me-ão que foi a abstenção a muleta da direita. E eu concordo. Aliás não consigo perceber como pode este país tão pequeno, fugir para tão longe das mesas de voto. É outra coisa curiosa, que me intriga... Mas foi preciso existirem eleições no meu partido, para perceber o quanto curiosas podem ser as pessoas. Nas discussões que se criam sempre que se tenta encontrar uma solução de liderança para um partido que perde eleições, e nas quais pela primeira vez participo, percebi com tristeza que muitos (do meu partido) também queriam ver os melhores de Portugal no estrangeiro. Nas discussões entre o ciclo novo e o novo ciclo, achei arrepiante que tantos daqueles que achei sempre como dos meus, muitos que lutaram lado a lado comigo, chamados a pronunciar o seu sentido de voto em Seguro ou Assis, não o conseguiram fazer sem resistir a dar um pontapé final no moribundo...E foram tantos que o fizeram, que percebi que a realidade pode ir além do sonho da direita... pois se estranhas são as muletas brancas que sustentaram o inicio desse sonho, mais grave é ainda perceber, que foi introduzida uma ajuda impensável, que foi uma muleta cor de rosa! Não tenho dúvidas, embora sem dados que o comprovem, que metade dos que engrossaram o valor da abstenção, foram precisamente simpatizantes, e ainda mas mais triste, militantes do PS. Eu tenho que fazer uma pergunta: como foi possível não pensarem nisto? Como foi possível deixarem-se levar? É-me tão difícil entender e aceitar que tenha sido a falta de empenho, a falta de união, a falta de visão, a falta de reconhecimento, a manipulação... qualquer uma destas ou todas juntas a ditar uma cruel traição. Uma coisa é a traição da esquerda radical, outra é a traição da minha esquerda, da nossa esquerda. Sei que isto não é bom de ler. E tenho pena de o escrever. Será que não perceberam que ainda vai ficar pior?
Tudo isto junto, criou uma adenda ao desejo da direita: um único partido cinzento escuro! Um presidente, um primeiro ministro e um partido cinzento escuro. A solução necessária para aprovar toda e qualquer medida, que possa tornar realidade o tal sonho. Um sonho interrompido há 37 anos. Não parece claro? Perdoem-me se é a minha mente que é muito criativa. Talvez não passe de ficção tudo isto... Contudo, esqueci de dizer o mais importante: os ideais da esquerda (desde a revolução francesa) são o intervencionismo económico, a Economia socializada, a vontade do povo que está acima da lei ou, nos dias de hoje, o serviço nacional de saúde público, a escola pública para todos, a rede de cuidados continuados, o complemento social para idosos, a modernização dos serviços públicos, as novas oportunidades e tantas outras medidas... enfim, o estado social!
Camaradas e amigos, ainda estamos a tempo de impedir este retrocesso. Ainda estamos a tempo de corrigir o que deixamos que acontecesse.
Vamos ser, outra vez, muletas da direita?
Marinho Osório - 15 Jun 2011
Durante muito tempo, a preguiça de procurar a explicação para uma definição tão bem aceite, impediu-me de procurar a história.
Esta forma de classificar posições ideológicas vem do tempo da revolução francesa "onde os membros do Terceiro Estado se sentavam à esquerda do rei enquanto os do clero e da nobreza se sentavam à direita."
Mas a frase mais interessante de todas foi "um partido poderia ser 'esquerda' em determinadas instâncias e 'direita' em outras." Transportando isto para os dias de hoje, sabemos bem que os extremos políticos, não se sabendo bem qual é a sua nobre função, nunca poderiam ser soluções de governação pela radicalidade, ou melhor, pela pouca capacidade de adaptação aos tempos, às relações com o mundo, à evolução da própria cidadania e à difícil conjugação de necessidades de todos os cidadãos. Vejo estes partidos como, ou totalmente brancos ou totalmente pretos... ora num mundo com tantas cores, parecem-me completamente fora de qualquer solução de futuro.
É por isso natural que nos 37 anos que levamos de democracia, as apostas dos cidadãos tenham recaído sobre os partidos que podem governar nos vários níveis de cinzentos. Os tais partidos que podem ser mais de direita ou mais de esquerda conforme as circunstâncias, conforme os momentos, conforme as necessidades. Afinal de contas, têm a responsabilidade de tomar decisões que afectam todas as pessoas, e não só algumas. Bom aqui salta uma evidência, é que nunca ouvi dizer que os nossos partidos mais cinzentos (os de direita) tenham sido, por uma vez sequer, menos cinzentos... Já o contrário tenho ouvido falar com insistência, recentemente. Pelos vistos dizem muito convictos, que o Governo de José Sócrates governou mais à direita... Foi mais cinzento! Não sei se é natural que o digam, que o pensem. Afinal as circunstâncias em que vivemos são de tal forma excepcionais, que obrigaram a que se carregasse um pouco no preto para que fosse possível defender todos. Mas terá sido mesmo assim como dizem? É que existem muitos indicadores reais que provam que os mais pobres, os mais necessitados, têm hoje mais possibilidades, mais ajudas, mais justiça que em 2005. São medidas que nenhum cidadão pode ignorar. Por outro lado, foram também os governos PS que noutras circunstâncias, carregaram muito no branco, dando muito de si aos cidadãos (contribuintes), fazendo de tudo para que pudessem ter melhores condições e direitos mais brancos. Julgo que enquanto socialista, não podia desejar que o meu partido fosse outra coisa que não esta. Conforme as circunstâncias, o PS age de forma a dar o possível aos portugueses. Nem tudo foram Rosas, é certo! Mas sempre tomou a responsabilidade de dar aos cidadãos quando podia e tratou de lhes tirar quando devia, ou quando por razões de exigência internacional, assim se lhes (aos governos) exigia. Lido bem com isso. Os portugueses desde há 37 anos que andam neste jogo "dégradé". Mas é curioso que da parte da direita nunca ouvi dizer que tenham sido muito brancos para os cidadãos... não me recordo! Mas sou novo nestas andanças. Os extremos! Para que servem o branco e o preto, na nossa vida política?
Não servem para nada...
Minto! Servem. Existem momentos que servem. E os brancos serviram recentemente para dar à direita mais negra de sempre, a força necessária para derrubar um governo de esquerda com políticas de esquerda, mas não suficientemente de esquerda. Serviram para derrubar um governo que tinha de fazer o que se impunha, para manter os ideais da esquerda. Serviram de muletas para a direita conseguir um desejo antigo. E não fosse estranho uma muleta, ainda mais estranho se torna porque foram duas muletas, uma para a direita menos direita, e outra para a direita ainda mais direita... porque a direita estava manca das duas pernas... É para isto que servem, uma vez em cada 100 anos, o branco e o preto. Mais o branco. Chamados a ter um importante contributo para a história colectiva, ficam assim na fotografia: como muleta! É muito estranho ver as cores desta forma. Os portugueses sempre pautaram a sua interpretação política do País de uma forma cautelosa. Baseada no ditado "nunca pôr os ovos todos no mesmo cesto", nunca tivemos um governo e um presidente do mesmo lado político. Até agora! Terão perdido os portugueses a noção da sua história? Bom, tal como as muletas, esta escolha dos portugueses, só acontece de 100 em 100 anos... Felizmente!
Nas últimas legislativas, os portugueses no geral, aceitaram e apoiaram as muletas. Não precisavam de o fazer. Os portugueses que tanto se queixam que o nosso país deixa os melhores ir para fora, tentaram mandar um dos melhores portugueses de sempre para fora do país... é curioso isto! Para não dizer que é ingrato, que é trágico, que é estúpido...
O sonho antigo! Um presidente e um primeiro ministro. Nem um nem outro foram, algum dia, brancos com os portugueses. Pelo contrário. Representam o que de mais negro este país já conheceu. Um porque, enquanto governante, foi o que foi, o outro que nunca foi e não será nunca um governante. Pelo meio, além de afastarem o melhor governante de sempre (pois foi quem governou de tanga e mesmo assim fê-lo com mestria, e sempre que possível, para a esquerda), tentaram a todo o custo desvalorizar as pessoas que o acompanharam em tão árdua missão, elogiada pelas instâncias internacionais. São curiosos alguns portugueses. Fazer isto não é justo!
Dir-me-ão que foi a abstenção a muleta da direita. E eu concordo. Aliás não consigo perceber como pode este país tão pequeno, fugir para tão longe das mesas de voto. É outra coisa curiosa, que me intriga... Mas foi preciso existirem eleições no meu partido, para perceber o quanto curiosas podem ser as pessoas. Nas discussões que se criam sempre que se tenta encontrar uma solução de liderança para um partido que perde eleições, e nas quais pela primeira vez participo, percebi com tristeza que muitos (do meu partido) também queriam ver os melhores de Portugal no estrangeiro. Nas discussões entre o ciclo novo e o novo ciclo, achei arrepiante que tantos daqueles que achei sempre como dos meus, muitos que lutaram lado a lado comigo, chamados a pronunciar o seu sentido de voto em Seguro ou Assis, não o conseguiram fazer sem resistir a dar um pontapé final no moribundo...E foram tantos que o fizeram, que percebi que a realidade pode ir além do sonho da direita... pois se estranhas são as muletas brancas que sustentaram o inicio desse sonho, mais grave é ainda perceber, que foi introduzida uma ajuda impensável, que foi uma muleta cor de rosa! Não tenho dúvidas, embora sem dados que o comprovem, que metade dos que engrossaram o valor da abstenção, foram precisamente simpatizantes, e ainda mas mais triste, militantes do PS. Eu tenho que fazer uma pergunta: como foi possível não pensarem nisto? Como foi possível deixarem-se levar? É-me tão difícil entender e aceitar que tenha sido a falta de empenho, a falta de união, a falta de visão, a falta de reconhecimento, a manipulação... qualquer uma destas ou todas juntas a ditar uma cruel traição. Uma coisa é a traição da esquerda radical, outra é a traição da minha esquerda, da nossa esquerda. Sei que isto não é bom de ler. E tenho pena de o escrever. Será que não perceberam que ainda vai ficar pior?
Tudo isto junto, criou uma adenda ao desejo da direita: um único partido cinzento escuro! Um presidente, um primeiro ministro e um partido cinzento escuro. A solução necessária para aprovar toda e qualquer medida, que possa tornar realidade o tal sonho. Um sonho interrompido há 37 anos. Não parece claro? Perdoem-me se é a minha mente que é muito criativa. Talvez não passe de ficção tudo isto... Contudo, esqueci de dizer o mais importante: os ideais da esquerda (desde a revolução francesa) são o intervencionismo económico, a Economia socializada, a vontade do povo que está acima da lei ou, nos dias de hoje, o serviço nacional de saúde público, a escola pública para todos, a rede de cuidados continuados, o complemento social para idosos, a modernização dos serviços públicos, as novas oportunidades e tantas outras medidas... enfim, o estado social!
Camaradas e amigos, ainda estamos a tempo de impedir este retrocesso. Ainda estamos a tempo de corrigir o que deixamos que acontecesse.
Vamos ser, outra vez, muletas da direita?
Marinho Osório - 15 Jun 2011
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