Domingo, 18 de Setembro de 2011

O Povo e o Engodo.

Sei que sofrerei a já normal acusação de ser do contra, de não saber perder e de contribuir para a falta de união do PS. Não sei se esta falta de união é a mesma que impediu socialistas de votar nas últimas eleições, contribuindo assim juntamente com as muletas, para o governo que temos actualmente, ou se a falta de união é outra qualquer surgida entretanto em volta de um qualquer novo interpretar das ideias e princípios,  e/ou amorosos abraços com apenas 2 anos de combinação, que mandam agora no partido socialista.

Pois então passados estes dias de verdadeiro embaraço bananal, pude reflectir melhor sobre as recentes posições do nosso SG.

Devo dizer que me agrada que António José Seguro interpele directamente (usando o cargo) o primeiro ministro e que o sujeite às questões que lhe coloca pela comunicação social. Surpreendeu-me é verdade. Surpreendeu-me porque sempre achei que este tema (a Madeira) seria um tema abordado em privado, como muitos outros ao longo destes longos anos de governação de José Sócrates. Mas não. Ou melhor, também!
A verdade é que depois da espuma fica uma sensação muito má. A táctica escolhida pelo SG do PS é errada. Ou pelo menos, tenta encher os microfones de ecos, mas não acrescenta nada de bom ao futuro. Principalmente ao dos madeirenses.

Um SG que tem na mão a maior responsabilidade de sempre na defesa dos direitos dos portugueses, não pode fazer pedidos ao PM. Ao fazê-lo, está a vitimizar Pedro Passos Coelho. Na comunicação social, que sabemos que defende alguns portugueses (apenas), não faltarão opiniões a mostrar por A+B que PPC herdou uma herança pesada e que, pouca sorte, ainda lhe caiu no colo uma coisa escondida durante anos por parte do seu partido e que vai dificultar ainda mais a acção da sua governação. E com isto quero dizer, vai ganhar ainda mais legitimidade para aplicar a agenda que preparou para o país. Além disso, permite o alinhamento gasto mas proveitoso de Alberto João Jardim: "Defender a Madeira do contenente".

Não! Não é assim que se mostra aos portugueses um caminho. E mais, ao não dirigir qualquer palavra aos madeirenses, na verdade, está a pactuar com as afirmações de Alberto João Jardim que recordo, acusam o governo anterior de "socialistas que roubaram a Madeira". E os militantes batem palmas.

Não! Bastava dizer e sem pedir, que Pedro Passos Coelho sabia bem do que dizia quando usou o "Desvio e outras coisas pelo meio Colossal", dizer que sabia bem porque cortava com o 13º dos portugueses, dizer que tal como AJJ, desviou as atenções do povo, para esconder o verdadeiro ladrão dos portugueses (incluindo os madeirenses) - o próprio Alberto João Jardim.

De seguida, devia falar para os madeirenses. Devia dar-lhes esperança. Devia dizer-lhes que o PS da madeira sempre falou a verdade. Devia dizer-lhes que o governo de JS chamado na altura da tragédia, decidiu em nome de todos os portugueses ajudar os madeirenses. Devia dizer que esta é a oportunidade de mudar o destino, de acabar com o medo. Devia ter dito que, afinal quem roubou em 30000 euros a cada madeirense, não foi o governo socialista do engenheiro, mas sim o ditador que fez da Madeira, um galinheiro. E que a mudança pode ser já, em Outubro.

Não podia também de deixar umas palavras de especial apreço a Manuela Ferreira Leite e a Cavaco Silva pelos elogios deixados à governação regional, em 2008 e 2009. Eles mereceriam que se lhes mostrasse a verdade que não têm.

Mas AJS continua a falar para os jornalistas, a fazer pedidos a Pedro Passos Coelho, a cumprimentá-los, a amá-los... e continua a jogar cartas fora. E a cada carta mal jogada, mais depressa nos fará perder o jogo.

Sou militante do Partido Socialista. E António José Seguro é o meu Secretário Geral. Mas, encarecidamente lhe peço, que se é para jogar Sueca, que o parceiro escolhido para o jogo, seja o povo e não o engodo.

A não ser que o objectivo seja um governo de salvação nacional do degelo do Árctico com Cavaco Silva como timoneiro... Aí eu calo-me dentro do PS e vou para a "rua gritar, que é já tempo de embalar a trouxa e zarpar".



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